30 Julho 2009

Primer


Vi esse filme ontem e fiquei chocado. Não pelas atuações e coisas normais de filmes, mas pelo fato do filme ter custado 7 mil dólares e principalmente pelo fato de que é o filme mais complicado que eu já vi. Complicado de entender, aliás, vou ter que assisti-lo de novo. O filme é de 2004 e ganhou um prêmio no festival de Sundance. O Interessante é que ele foi bancado pelo diretor Shane Carruth, que além de ter sido diretor foi: diretor, ator principal, roteirista, editor, diretor de fotografia, compositor da trila sonora e produtor. É até fácil explicar isso, simplesmente pra cortar gastos, mas o inexplicável é que ele fez tudo muito bem. A fotografia é perfeita, é o tipo de filme que você assiste e diz "esse filme deve ter ficado barato", mas ninguém imagina o quão barato foi.
O longa conta uma história de ficção científica, a velha história da máquina do tempo. No filme 4 amigos constroem uma máquina mas só descobrem depois que ela é uma máquina do tempo. Até uma parte é bem fácil de entender, depois da metade do filme que vem o trabalho. Muito complicado, eu confesso que entendi boa parte, mas alguns detalhes eu não faço a mínima, ou seja, vou ter que assistir de novo. Toda essa história de viagem no tempo, paradoxo e simetria, sempre é difícil de entender.

Ficha Técnica:
título original: Primer
ano de lançamento: 2004
Diretor: Shane Carruth
Roteiro: Shane Carruth
Duração: 77 minutos

Elenco:
Shane Carruth
David Sullivan
Casey Gooden
Anand Upadhyaya
Carrie Crawford

05 Julho 2009

Oscar Niemeyer - A Vida é um Sopro


É a primeira vez que coloco um documentário aqui no blog. Não porque eu não goste, mas é porque eu vi poucos mesmo. Agora mesmo só consigo lembrar de uns 5 no máximo. É impressionante o poder que um documentário tem. Quando assistimos um filme, estamos vendo atores interpretando, coisas irreais e reais, situações inventadas e reais, mas um documentário é diferente. Os atores não são atores, são pessoas reais que às vezes nem sabem o que é um roteiro, são pessoas interpretando a si mesmas.
O que acontece nesse documentário é algo extraordinário. Um filme que retrata a vida e obra de Oscar Niemeyer. Um arquiteto brilhante e um ser humano curioso. Quando eu assisti o filme eu confesso que só conhecia uns 20% da obra dele. Depois de ver o filme percebi que ele fez e faz muita coisa até hoje. Om filme foi muito bem dirigido, com entrevistas, diálogos ótimos, depoimentos, cenas gravadas na França, Portugal, Brasil, Argentina e Argélia. Puta documentário bom.

"Eu fico feliz quando faço uma música boa, música boa pra mim é música de Tom Jobim, e música de Tom Jobim pra mim é casa de Oscar" Chico Buarque


Ficha Técnica:
Título Original: Oscar Niemeyer - A Vida é um Sopro
Ano de lançamento: 2007
Direção: Fabiano Maciel
Roteiro: Fabiano Maciel
Duração: 90 minutos
Gênero: Documentário

Elenco:
Oscar Niemeyer
José Saramago
Carlos Heitor Cony
Ferreira Gullar
Eduardo Galeano
Eric Hobsbawn
Nélson Pereira dos Santos
Mário Soares
Chico Buarque
Ítalo Campofiorito

08 Junho 2009

Mais Estranho que a Ficção


O que me surpreende as vezes é a criatividade de certas pessoas. E foi o que aconteceu com esse filme. Ele me surpreendeu. Por vários motivos; atuações, fotografia, abertura do filme, e principalmente o roteiro.
Fico feliz em ver história boas assim. A história é super criativa e completamente original.

O filme conta a história de Harold Crick, um homem com um emprego e uma vida normais. Ele vive nos pequenos detalhes, contando os minutos para tomar café, para o almoço, os passos de sua casa até o ponto de ônibus, tudo. Até que um dia ele começa a ouvir a voz de uma mulher, uma narradora de sua própria vida, como se fosse personagem de uma obra literária. Como se não bastasse, a narradora acaba deixando escapar que Crick está prestes a morrer, o que o coloca em uma corrida para tentar descobrir o mistério, enquanto se apaixona pela primeira vez em muitos anos.

O que impressiona é que o ator Will Ferrell sempre atuou em comédias. Mas nesse filme é bem diferente, claro, o longa é pro lado do humor, porém com uma pitada de drama. A atuação dele nesse filme está ótima.
Outro ponto são as cenas muito bem dirigidas pelo diretor Marc Foster, que não deixa a desejar.
Depois da hiostória o que mais me agradou foi a abertura do filme, completamente diferente, original e que veio muito bem a calhar.
Um filme bem bacana para se assistir.


Ficha Técnica:
Título Original: Stranger Than Fiction
Ano de Lançamento: 2006 EUA
Duração: 113 minutos
Gênero: Comédia
Diretor: Marc Foster
Roteiro: Zach Helm

Elenco:
Will Ferrell (Harold Crick)
Denise Hughes (Carla)
Tony Hale (Dave)
Maggie Gyllenhaal (Ana Pascal)
Emma Thompson (Kay Eiffel)
Queen Latifah (Penny Escher)
Tom Hulce (Dr. Cayly)
Linda Hunt (Dr. Mittag-Leffler)
Dustin Hoffman (Prof. Jules Hilbert)

23 Maio 2009

O Martírio de Joana d'Arc


Eu conheci esse filme há uns meses atrás quando assisti ao "Vivre sa Vie" do Godard. Quem assistiu sabe do que estou falando. Quem não viu vai entender. Tem uma cena no filme do Godard em que a personagem vai ao cinema ver um filme (óbvio) e o filme que passa é "O martírio de joana d'Arc". A cena é tão linda, a personagem começa a chorar e é passada uma cena do filme de Joana d'Arc. Aquilo ficou marcado na minha cabeça e logo depois pensei "Preciso ver esse filme".

Ainda bem que assisto aos filmes do Godard. O martírio de joana é um dos filmes mais lindos que já vi. É tocante, triste, puro, toca a alma. O detalhe é que o filme é de 1928 e é mudo. Existem duas versões desse filme. A versão muda e a versão orquestrada. Na época em que o filme foi lançado, uma orquestra acompanhava a exibição do filme, porém não se tem registros de quais músicas eram tocadas. E em 1985 a Cinematheque da França restaurou o filme e colocou uma Sinfonia que achava combinar com o filme. Bom, eu assisti a versão orquestrada e digo que eles acertaram bonito. A versão muda deve ser boa, mas a orquestrada tocou minha alma. Outro detalhe é o travelling existente nesse filme. Travelling é o movimento de câmera onde a câmera anda. Câmera no trilho, como se alguém empurasse.

O longa conta o julgamento de Joana até sua morte na fogueira. É isso. Mas o que se passa é a covardia dos juizes e padres perante à uma jovem pura, de 18 anos, que diz ter recebido uma mensagem de Deus. Ela foi levada a fogueira e algumas décadas depois a Igreja assumiu que foi um dos maiores erros que ela já cometeu.

Bom, pra quem gosta de história vale a pena e pra quem gosta de cinema vale mais ainda. Vai ser difícil vocês acharem esse filme. Mas vale a pena tentar.

Elenco:
Renée Maria Falconetti
Eugène Silvain
Antonin Artaud
Maurice Schutz
Ravet
André Berley
Michel Simon

Ficha Ténica:
Título Original: La Passinon de Jeanne d'Arc
Ano de lançamento: 1928
Duração: 82 minutos
Gênero: Drama/Arte
Diretor: Carl Theodor Dreyer
Roteiro: Carl Theodor Dreyer

14 Maio 2009

Camisa de Força



De início eu resolvi assistir esse filme por causa do ator Adrien Brody, mas depois vi que o filme é muito mais do que isso. As atuações são ótimas, claro, mas o enredo é tão bom quanto.
Sempre gostei de filmes meio surreais, que retratam a loucura, viagens no tempo, etc.
O longa conta a história de Jack Starks, que após recuperar-se de um tiro na cabeça, retorna à sua cidade natal, Vermont, sofrendo de amnésia.
Quando é acusado de ter assassinado um policial, é recolhido a um hospital psiquiátrico, e um médico, Dr. Becker, o submete a um controverso tratamento, no qual Starks é injetado com drogas experimentais, imobilizado em uma camisa de força, e trancafiado, por períodos longos, em uma gaveta para cadáveres, no sótão de um necrotério.
A mente de Starks, drogada e desorientada, o transporta ao futuro, onde ele conhece Jackie, e descobre que está fadado a morrer em quatro dias. Juntos, eles buscam uma maneira de livrá-lo de seu trágico destino.
O filme tem uma fotografia muito boa, uma direção boa e atuações ótimas.



Elenco:
Adrien Brody (Jack Starks)
Keira Knightley (Jackie Price)
Kris Kristofferson (Dr. Thomas Becker)
Jennifer Jason Leigh (Dr. Lorenson)
Kelly Lynch (Jean Price)
Daniel Craig (Rudy Mackenzie)

Ficha técnica:
Título Original: The Jacket
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 103 minutos
Direção: John Maybury
Roteiro: Massy Tadjedin, baseado em estória de Tom Bleecker e Marc Rocco

24 Abril 2009

O escafandro e a borboleta



Primeiramente alguns avisos aos desavisados. Primeiro gostaria de salientar aos que gostam de entrar nos personagens: tomem cuidado! O drama que o ator Mathieu Amalric vive é um dos mais fortes já vistos pelo homem, e Jean-Do um dos caras mais azarados do mundo. O filme nos causa uma certa perplexidade muda e até certo ponto alguma incredulidade. Constatar que tudo foi real é ainda mais angustiante.

Imagine como seria perder tudo que você tem (tudo mesmo), mas apesar disso não morrer. Sobreviver no limiar inseguro de estar vivo e morto ao mesmo tempo, sem poder fazer a escolha pela morte, ser um fantasma para o mundo. É triste que a beleza do filme se faça através da tortura de um homem, mas parece que todos envolvidos no projeto entenderam perfeitamente o quão belo foi o sofrimento de Jean-Do.

O cinema francês tem uma forma peculiar de captar a beleza no drama, e a habilidade técnica na hora de realizar a idéia faz com que tudo se torne uma realidade artística. O jogo ousado de câmeras sem foco e embaçadas e a forma criativa com que o filme é montado na parte de edição, dão suporte ao desenrolar mais que intenso da trama. O trabalho de fotografia é um dos fatores que contribuem imensamente para fazer de “O escafrando e a borboleta” uma obra de arte, criando em certos momentos a sensação de que o próprio roteiro quem guia tudo.



Gênero: Drama
Tempo de Duração: 112 minutos
Direção: Julian Schnabel
Roteiro: Ronald Harwood, baseado em livro de Jean-Dominique Bauby
Produção: Kathleen Kennedy e Jon Kilik
Fotografia: Janusz Kaminski

Elenco:
Mathieu Amalric (Jean-Dominique Bauby)
Emmanuelle Seigner (Céline Desmoulins)
Marie-Josée Croze (Henriette Durand)
Anne Consigny (Claude)
Patrick Chesnais (Dr. Lepage)


16 Abril 2009

Viver a sua Vida


É absurdo como Godard consegue passar certos sentimentos em apenas poucos minutos. Ele consegue pegar o que estamos sentindo e transformar em uma cena de 2 minutos. Bem, ele é considerado um dos melhores diretores de todos os tempos, isso já diz tudo.
Vivre sa Vie é um dos primeiros filmes dele e digo que é um dos melhores filmes dele.
Com a maravilhosa Anna Karina no elenco e uma história ótima, o longa não deixa nada a desejar.
O filme conta a história de Nana (Anna Karina), mas de uma forma diferente. Logo no começo já aparece em letras garrafais: "Um filme em 12 cenas". São 12 acontecimentos da vida de Nana que são mostrados. Um café, um passeio, o trabalho, e por assim diante.
(Isso não é um spoiler) Talvez as 2 melhores cenas do filme são a discussão de filosófica que ela tem num café e quando ela vai ao cinema assistir "La Passion de Jeanne D’Arc". A cena do cinema é tão tocante que chega a ser um silêncio ensurdecedor. Simplesmente consegue comover qualquer um que assista ao filme. Belo demais.
Fora a "citação" explícita que Godard faz a Truffaut nesse filme.
Coisas que não vou contar para não perder a graça.
Como disse antes, vale a pena pegar a obra de Godard.


Ficha Técnica:
Diretor: Jean-Luc Godard
Título Original: Vivre sa Vie
Roteiro: Jean-Luc Godard
Duração: 83 minutos
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 1962

Elenco:
Anna Karina
Sady Rebbot
André S. Labarthe
Guylaine Schlumberger
Gérard Hoffman
...

06 Abril 2009

Irreversível


Esse é um daqueles filmes que nos tirariam o sono se não soubéssemos que não passa de uma obra de arte. Seu roteiro parece ter o único intuito de deixar-nos chocados e perplexos diante da ruptura entre a harmonia e o caos. O desenrolar da trama nos coloca diante de nossas próprias fobias sociais, faz com que nossos medos e receios aflorem através dos personagens. O tom de realidade que o filme ganha através de interpretações bastante humanas faz com que tudo fique ainda mais intenso, nos dando a possibilidade de sentir e compreender a dor dos personagens.

Apesar de ser um filme bastante intenso e violento, o amor é o sentimento que move todo o enredo, justificando desde as piores barbáries até os gestos de carinho mais singelos. É um filme que oscila entre emoções, mas que com certeza tem como foco nos provar a existência da dor e do sofrimento. Mesmo os momentos de paz e alegria parecem apenas reforçar o sofrimento da violência posterior, dando ainda mais dramaticidade aos fatos devido ao acumulo de afinidades que vamos criando através do filme.

É preciso uma certa experiência de vida para entender perfeitamente o sofrimento dos personagens, a forte ligação entre Cassel e Bellucci faz com que todo aquele que já se apaixonou entenda perfeitamente o quanto a historia é comovente. Duvidar da intensidade de “Irreversible” é um erro tão grande quanto duvidar da capacidade do cinema francês. E o mais cruel de tudo é que o titulo do filme não contextualiza os fatos, faz pior, intensifica-os.


Ficha Técnica:
Título Original: Irreversible
Duração: 99 minutos
Lançamento (França): 2002
Direção e Roteiro: Gaspar Noé
Produção: Christophe Rossignon
Música: Thomas Bangalter
Fotografia: Benoît Debie e Gaspar Noé
Desenho de Produção: Alain Juteau
Figurino: Laure Culkovic
Edição: Gaspar Noé
Gênero: Drama

Elenco:
Monica Bellucci (Alex)
Vincent Cassel (Marcus)
Albert Dupontel (Pierre)
Philippe Nahon (Philippe)
Jo Prestia (Le Tenia)
Stéphane Drouot (Stéphane)
Mourad Khima (Mourad)

05 Abril 2009

Touro Indomável


Algumas parcerias sempre dão certo. Tim Burton e Johnny Depp, Wes Anderson e Bill Murray, Jim Jarsmuch e Bill Murray (também) e uma das mais famosas, Scorsese e De Niro.
Ao todo já são mais de 5 filmes juntos. E sem sombra de dúvida "Touro Indomável" é a melhor obra dessa parceria. É incrível a capacidade do De Niro de atuar e do Scorsese de fazer acontecer.
Muitas pessoas me falaram que esse filme era o melhor do De niro e ele mesmo disse uma vez que é o melhor filme dele. Bem, tenho que concordar. A atuação é espetacular, de tirar o fôlego.
Nesse filme o ator interpreta um lutador de Boxe chamado "Jake La Motta". O filme é baseado em uma história real. É a história de um lutador que sobe na carreira com a mesma rapidez com que sua vida particular se degrada, graças ao seu temperamento violento e possessivo.
O ator pra fazer esse filme teve que engordar 20 quilos e em certas cenas ficou irreconhecível. Um ótimo filme do diretor Martin Scorsese.


Ficha Técnica:
Título Original: Raging Bull
Ano de Lançamento: 1980
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Paul Schrader e Mardik Martin, baseado em livro de Jake LaMotta, Joseph Carter e Peter Savage
Duração: 128 minutos
Gênero: Drama

Elenco:
Robert De Niro (Jake La Motta)
Cathy Moriarty (Vickie La Motta)
Joe Pesci (Joey La Motta)
Frank Vincent (Salvy)
Nicholas Colasanto (Tommy Como)
outros.

31 Março 2009

Gomorra


Sempre fui um fã de filmes que retratam sobre a máfia, principalmente a Italiana. Acredito que isso aconteça devido ao "Poderoso Chefão". O clássico, dos clássicos.
Bem, como de costume, gosto de assistir filmes premiados em Cannes e esse ganhou em 2008.
O filme conta a história da máfia italiana nos tempos de hoje. Na verdade o nome Gomorra é uma referência a uma facção napolitana do crime organizado italiano chamada Camorra. E também Gomorra, segundo o velho testamento, foi uma das cidades destruída por Deus devido ao estilo de vida pecaminoso dos seus habitantes.
É bem interessante comparar filmes clássicos sobre máfia com o Gomorra. No "Poderoso Chefão" nós vemos mafioso de ternos, fumando charutos e bebendo bebidas caras. Frequentadores de restaurantes caros. Carros caros, casas caras. Tudo isso é passado em filmes clássicos. Em "Gomorra" a coisa parte mais pro lado da classe baixa. Roupas de marca porém falsas, casas pequenas (aliás, nem casas são mostradas e sim um conjunto de apartamentos minúsculos). Nem parece que é uma Facção do Crime Organizado.
Vale a atenção do público para o diretor, Matteo Garrone. Eu gostei muito dos planos por ele usado nesse filme. Outra característica é a câmera solta, no estilo Meirelles. Um bom filme.


Elenco:
Salvatore Abruzzese (Totò)
Simone Sacchettino (Simone)
Salvatore Ruocco (Boxer)
Vincenzo Fabricino (Pitbull)
Vincenzo Altamura (Gaetano)

Ficha Técnica:
Direção: Matteo Garrone
Roteiro: Matteo Garrone, Maurizio Braucci, Ugo Chiti, Gianni Di Gregorio, Massimo Gaudioso, Roberto Saviano
Título Original: Gomorra
Duração: 137 minutos
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2008