
Sabe quando agente sai do cinema sem querer falar com ninguém, quieto, atordoado pela qualidade do filme, pensativo, e a única coisa que se consegue dizer é "que filme bom". Acredito que todos já passaram por uma situação dessa, eu estou sentindo isso agora. Acabei de assitir esse filme e não pisquei os olhos. Apoiei a cabeça sobre as mãos e assisti o filme como alguém assiste um quadro, uma obra de arte, etc. Excelente, genial, bem escrito, bem interpretado, bons planos, tudo que se tem de bom em um filme está presente nesse.
Foi o primeiro filme do Person que assiste, já tinha ouvido falar dele, pra quem não sabe ele é pai da Vj cabeça Marina Person, se não me engano há uns 3 anos atrás ela lançou um filme sobre ele, ele faleceu em 1976. O cara nesse filme foi um monstro, destruidor, tão destruidor quanto quebrar um dente na quina da pia do banheiro. Sabe aquele cara que tem presença, que causa impacto, que sabe o que faz? Ele foi exatamente isso na direção desse filme. O que vou contar não pode ser considerado spoiler, afinal o filme é baseado numa história real, que todos sabem o desfecho e que até virou novela da globo. O longa conta a história dos Irmãos Naves, acusados de latrocínio (roubo seguido de homicídio). Esse causo aconteceu durante o Estado Novo do Getúlio Vargas no final da década de 30, numa cidadezinha de Minas chamada Araguary. O que me impressionou foram os planos usados pelo Person, ele usa muito da técnica de Travelling, que é basicamente a câmera colocada em cima de um trilho e captando as coisas como se tivesse num carro. Outra coisa são os atores, sensacionais, Raul Cortez e Anselmo Duarte na flor da idade. Mas o que não posso deixar de comentar são duas coisas: A tese de defesa que o advogado de defesa dos Naves pronúncia, foi a parte do filme que eu não pisquei, se passaram uns 20 minutos e eu nem percebi. A outra coisa é a nacionalidade do filme, Brasil! Puta filme nacional bom, bom de fazer qualquer crítico de cinema chato morder a língua. Sabe aquelas frases manjadas "a cinema brasileiro só tem bunda, só tem favela, só filme sobre polícia, morro, favela, drogas, só sexo". Eu cansei de ouvir isso, cansei, quer ver bunda vai assistir cinema francês, norte-americano, belga, japonês, argentino, bunda e peito tem em qualquer lugar, pobreza e violência também, então parem de criticar o cinema brasileiro e vão se divertir assistindo filmes, assim vocês vão perceber que o cinema brasileiro tem muita coisa boa, muitos diretores bons.

Ficha Técnica:
Duração: 92 minutos
Gênero: Drama
Diretor: Luiz Sérgio Person
Ano: 1967
Elenco:
Anselmo Duarte
Raul Cortez
Juca de Oliveira
Sérgio Hingst
John Herbert
Lélia Abramo
Cacilda Lanuza
Julia Miranda
Hiltrud Holz
